27.11.11

Epílogo (com um sorriso nos olhos)


A bruma da manhã
derrotou a combustão dos sentidos.
Procuro por todo o lado
e não encontro nada.
A centelha da noite desfez-se na penumbra.
E o fim,
o fim é sempre um princípio,

[vírgula propositada]

21.11.11

Pedagogia


Aprendi:
até as cores baças se fundem em claridade.
O barco não naufraga
por mais que adorne;
oxalá haja um fio de prumo
vindicado no acaso dos dias.
Mas quando o ocaso irrompia
o acaso dos dias tratou do desmentido.
A entrega é um quarto imenso.
Atapetado com as melhores fazendas
ornamentado com o ouro das palavras
dos afectos silenciosos.
E quando os lábios percorrem o corpo
e o corpo declina na volúpia
o tempo emoldura-se.
O tempo reduzido a um instante.
Efémero
como tudo o é.

16.11.11

Fragmentos de uma manhã


No silêncio da manhã
os olhos entreabriam-se
e o teu corpo insinuava-se no meu.
Roubava um pedaço de ti
enquanto as preces do êxtase
decaiam em sua combustão.
Os olhos que se entrecruzam
ensinavam a domar águas tumultuosas.
As pinceladas que emprestámos ao céu
devolviam uma claridade que se embaciara.
E nós,
nós éramos os tutores da fortuna.

7.11.11

Provisório-definitivo


Um freio nos dentes
devolve o sossego.
Fendem-se, os olhares de reprovação.
No oráculo das estrelas
a carne rasgada não sangra.
Expiado, enfim.