Por todo o lado
estão
os sorrisos postiços
as paredes rombas
os pássaros a prazo
os parágrafos a destempo
o zimbório desguarnecido
as viúvas pretéritas
os godos alisados pela angústia
os baraços que atam o futuro
navios enferrujados não naufragáveis
a madeira decomposta
os fardos com listas de medo
os rapazes que fruem as horas vagas
os marinheiros saltimbancos
bêbados pela manhã
as horas perdidas no suor da noite
os pesadelos
os pesadelos como ciprestes
rompendo o céu sem aviso
estão
por todo o lado
e sem mapa nenhum.
