Fiz da farsa o alibi
escrevi em entrelinhas
palavras amarrotadas pelo silêncio.
Refúgio nas palavras. A melodia perdida. Libertação. Paulo Vila Maior
Aninho as víboras certeiras
no cobertor puído
das horas incertas.
As cores esbatidas
perfumam as cotovias em espera
e os velhos inventariados em públicos jardins
amotinam-se num silêncio jazente
como se eclipsassem o tempo
e dessem às gerações vindouras
a generosidade maior do tempo
em suspensão.
Arrumada a noite no provérbio latejante
só ficam em pé os verbos teimosos,
a obstinação
(diz-se)
é o melhor remédio
contra o torpor.
Debruada a ouro
a estultícia do “influenciador”
(assim mesmo,
em português camoniano,
só para aborrecer a novilíngua)
arrotava por cima do seu fautor.
As palavras suadas
soam como pórticos sisudos
dispensam os punhais imberbes
soadas que são como dentes de mastins
que em seus festins
alcançam o suor dos predadores
– então tornados perdedores.
Passa a palavra
lá por casa
e depois
pelo resto do mundo
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