Quem tanto celebra a vida
nunca se faz de morto.
Refúgio nas palavras. A melodia perdida. Libertação. Paulo Vila Maior
Peso o peso
antes de ser do peso refém
e da dieta súbdito.
[Modernidades que placam a autonomia individual]
A terra cicatrizada que me devolve a manhã
subleva-se em marés iracundas e sucessivas
no hastear dos versos lídimos
arrebatados por um clarão iridiscente.
Os destroços deitados na estrada
enquanto são removidos de o serem
são o rosto da devastação;
antes fossem uma nota de rodapé
no atlas aberto que abraça o tempo inteiro.
A terra tem cicatrizes
eternas
oxalá pudessem ser uma mnemónica
a bandeira sem paradeiro certo
o hino cantado
por todos os idiomas.
Tantos
a impetrar reformas
(disto e daquilo
e assim sucessivamente)
e ninguém com lucidez para avisar
que o Estado está a cheirar
a aposentação.
[Variação de Injustiças documentadas (671)]
É inútil o estado da nação
sem a noção da nação.
De que adianta o estado da nação
se antes não se fez o estudo da nação?
O seco rio abate o silêncio
o tomador de almas que só esperam
redenção.
À noite
combinam-se as vozes assustadas
a maresia vestiu-se de música
e os demónios agora são o que se entoam,
sem os disfarces de outrora
sem as máscaras
do descarnaval.