Empurro com um dedo hesitante
a matéria pútrida do dia.
Os velhos descem a rua da estação
calados
como se do silêncio fosse o tempo havido.
Mordem os lábios
a corpulência do passado
investida nas mandíbulas fortes
dizem que se forem viúvos
pouco é o futuro que os espera.
No labirinto aberto em forma de flor
as paredes intrínsecas formam a gramática
o desenho inválido em janelas torpes
consumindo a atenção
vertendo sobre o chão desarrumado
uma dor todavia não excessiva
um quanto baste para se saber
(ou não de esquecer)
o paradeiro da dor.
A luz domina o céu esbranquiçado
como se uma insólita aurora boreal
tivesse ditado os seus termos
e no terminal estatuto
se despedisse como legado para o mundo.
As mãos desatadas reaprendem a ler
resplandecem
ao saberem que os demónios
não deixaram de fazer prova de vida.
Astutos
sem desconfiar a não ser da desconfiança
empunhando as espadas rombas
um distante destroço das ovações sonhadas:
e o definhar constante
fazendo notar
que as prescrições avivam o tempo
ou a forma torturante que tem
destina-se às elegias proverbiais
a menos que proibidas sejam
emitidas por solenes meios
para não ficarem
deixadas em ata
dúvidas.
