18.3.26

É preciso desconfiar dos que desconfiam

Sempre desconfiei

de gente com ideias apessoadas

como se tivessem sido engomadas

pela omissão de perguntas

e por vírgulas mal confecionadas 

– aquela gente de elevado gabarito, 

não menos de dois metros de alto

(para extinguir as dúvidas que haja).

Sempre desconfiei

de amanhãs apreciados

sem se saber (ou desconfiar) 

o que é o amanhã

e de profetas desenganados

peritos 

em lubidriar o próximo e o distante.

Sempre desconfiei

daquelas bocas boçais que desconfiam 

por desconfiar

a armadilham a confiança 

em bolas de estrume disparadas sem critério.

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