10.3.26

Juntos

As sílabas colam-se à noite

no pesar dos murmúrios isentos de gramática

esse rumor que se cola ao ouvido

e coloniza a vontade. 

Sei que juntos somos a grandeza

que não consegue a soma das partes. 

Sei que os nossos olhos fechados

chegam ao magma fundo onde ninguém vê. 

Os beijos que ciciam as estrofes sem medo

sabem de cor a tua silhueta

podiam desenhar uma carta topográfica

com os pormenores dos teus poros. 

Imagino 

o santuário que abriga o juntos que somos

juntos como se fôssemos siameses

e o meu sangue soubesse de cor

os versos em que te ergues. 

Imagino

a maresia do teu corpo

espanejando o cofre fraco

que esconde os nossos rostos fortes. 

E sei

que não há tempestades que falem mais alto

ou marés sublevadas no bojo do inverno

que separem esta nossa carne

do uníssono contínuo. 

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