31.3.26

À corda

À corda

a cabeça sentada na periferia

um atilho estreita o olhar

neste lugar não há satélites

apenas os cantos dolentes de viúvas de carvão

e nem um abraço se peticiona

as pessoas têm alergia umas das outras. 

A corda 

a saltar de três em três degraus

matéria-prima por adulterar

os diamantes também

até os que se misturam com a fala

e de um gesto brusco fazem pérolas promissoras. 

Acorda:

o rio ainda vai caudaloso

e as mesas descompostas anunciam a noite

e tu

entre a espuma do dia

e a efémera condução de tudo

tomas a procuração inteira

para seres embaixador de ninguém. 

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