Sob o mar temperado
o sonho estival descansa
num olhar anestesiado.
Refúgio nas palavras. A melodia perdida. Libertação. Paulo Vila Maior
O seco rio abate o silêncio
o tomador de almas que só esperam
redenção.
À noite
combinam-se as vozes assustadas
a maresia vestiu-se de música
e os demónios agora são o que se entoam,
sem os disfarces de outrora
sem as máscaras
do descarnaval.
Os olhos não se escondem
dos corpos à altura
desmatam o medo
como se fossem poetas baldios
e o suor
passa a língua franca.
Gostamos
ostentamos com honra
os chapéus morais que nos trazem
superioridade,
mas esquecemos
a finura dos telhados de vidro.