25.2.26

Burburinho

Um pelicano de corda

arrota sobre o lenço sujo da bailarina

enquanto nas traseiras do café

o artista do circo corta as páginas coladas

de um opúsculo de saberes esotéricos.

 

O pelicano balbucia umas sílabas

a bailarina espadana o plissado

para o sótão do pensamento.

Já o artista do circo

antes de ir buscar o petiz ao infantário

decora uns versos que cicia com pesar:

sua há de ser a presença num velório

e foi-lhe encomendada a elegia.

 

No restolho do dia

todos sem emprestam ao sono.

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