Um pelicano de corda
arrota sobre o lenço sujo da bailarina
enquanto nas traseiras do café
o artista do circo corta as páginas coladas
de um opúsculo de saberes esotéricos.
O pelicano balbucia umas sílabas
a bailarina espadana o plissado
para o sótão do pensamento.
Já o artista do circo
antes de ir buscar o petiz ao infantário
decora uns versos que cicia com pesar:
sua há de ser a presença num velório
e foi-lhe encomendada a elegia.
No restolho do dia
todos sem emprestam ao sono.

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