16.2.26

Tômbola

Por todo o lado

estão

os sorrisos postiços

as paredes rombas

os pássaros a prazo

os parágrafos a destempo

o zimbório desguarnecido

as viúvas pretéritas

os godos alisados pela angústia

os baraços que atam o futuro

navios enferrujados não naufragáveis

a madeira decomposta

os fardos com listas de medo

os rapazes que fruem as horas vagas

os marinheiros saltimbancos

bêbados pela manhã

as horas perdidas no suor da noite

os pesadelos

os pesadelos como ciprestes

rompendo o céu sem aviso

estão

por todo o lado

e sem mapa nenhum.

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