Um suspiro como vírgula
desnorteia o silêncio embuçado.
Já de longe
se ensina:
os sinais ortográficos podem ser
a matéria gestual colhida
ao acaso.
As almofadas
também podem calar as palavras
impor-lhes um silêncio envergonhado
e todavia terrífico:
a matéria lacustre exibe as águas paradas
a metáfora pantanal
para o silencio arrancado a ferros,
uma tortura inimaginada
até por adestrados algozes.
Eu mantenho
que não há tortura pior
do que palavras a eito
como se estivessem no cio adolescente
sem o tempero da moderação
tumultuosamente gongóricas
rasgando paisagens
como se de papel fossem feitas
atraiçoando o sono translúcido
que fica refém das palavras a destempo
das palavras marcadas a fogo
na pele desajeitada.
Até que o direito ao silêncio
não seja uma impostura
ou o caldo untuoso
onde acasalam os misantropos
e de constitucional abrigo seja credor.

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