7.9.26

Cão que morde não ladra

Do lugar da roupa suja

onde os urgentes demandam detergente

os dentes subidos safram os dias indigentes

e nem o cloro salva a água de ser assaltante

os dedos consumidos no xisto

onde se amanha a impaciência. 

 

Dei ao lugar

a indiferença capaz

e de dentro vieram, embuçados,

tiranetes avulsos em contramão

bolçando impropérios e outras platitudes. 

 

Confrontei-os 

com o detergente em emulsão

e eles

não querendo aparentar fraca parte

encheram de ar o peito

e avançaram. 

 

Um singelo terçar dos dedos

contra tanta ufania

chegou

para os deixar sombriamente gastos

a contagem no chão os seus próprios despojos

só para efeitos contabilísticos

e etc.

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