17.9.26

LVIII

Cortejo o cepo meado

entre a ramagem rala

no provérbio do Verão. 

Desencontro-me das horas arredias

o mosto válido segundo os anciãos

as mãos dançantes perseguindo a luz

enquanto o corpo desalinha do dia terminal. 

A pele angorá suplica pela chuva promitente

no acaso do nada

no vão, insensato lugar de tudo

e as estrofes que assinam as paredes

não procuram encómios

contentam-se modestamente

com o vulcão aqui,

uma lua grávida ali

a voz desenganada 

que corre em contrabando

sugando os segundos inteiros

gulosamente. 

Não quero que me digam

quem sou

o que sou

o que de mim dou

por dourado que seja o nome outorgado;

 

atravesso 

os dedos à frente do olhar

conspirando

conspirando as estrénuas conspirações

aquelas que procuram chão para desandar

e as outras

uma maçada em estado bruto. 

Animado pelo estado solar

engano o desestofo enquistado

enquanto deixo que ao sol subam mil luares

e tudo se confunde na lucidez estimada. 

Só os acossados pela turbulência interior

desconfiam dos verbos embelezados

só eles 

é que esqueceram os livros

num paradeiro sem lugar

ou num lugar sem paradeiro

onde os nomes perdem saber

e os saberes disfarçam-se de futuro. 

 

Ah

oxalá os termos fossem diferentes

outras as regras

oh nenhumas até

para depois do sonho 

todas as quimeras serem depostas

no chão que te vê passar

e eu

ao longe

tão longe sem saber onde estou

testemunha fosse 

do teu airoso viver.

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