Cortejo o cepo meado
entre a ramagem rala
no provérbio do Verão.
Desencontro-me das horas arredias
o mosto válido segundo os anciãos
as mãos dançantes perseguindo a luz
enquanto o corpo desalinha do dia terminal.
A pele angorá suplica pela chuva promitente
no acaso do nada
no vão, insensato lugar de tudo
e as estrofes que assinam as paredes
não procuram encómios
contentam-se modestamente
com o vulcão aqui,
uma lua grávida ali
a voz desenganada
que corre em contrabando
sugando os segundos inteiros
gulosamente.
Não quero que me digam
quem sou
o que sou
o que de mim dou
por dourado que seja o nome outorgado;
atravesso
os dedos à frente do olhar
conspirando
conspirando as estrénuas conspirações
aquelas que procuram chão para desandar
e as outras
uma maçada em estado bruto.
Animado pelo estado solar
engano o desestofo enquistado
enquanto deixo que ao sol subam mil luares
e tudo se confunde na lucidez estimada.
Só os acossados pela turbulência interior
desconfiam dos verbos embelezados
só eles
é que esqueceram os livros
num paradeiro sem lugar
ou num lugar sem paradeiro
onde os nomes perdem saber
e os saberes disfarçam-se de futuro.
Ah
oxalá os termos fossem diferentes
outras as regras
oh nenhumas até
para depois do sonho
todas as quimeras serem depostas
no chão que te vê passar
e eu
ao longe
tão longe sem saber onde estou
testemunha fosse
do teu airoso viver.

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