8.1.08

Doce a água do regato

O regato escorre entre o musgo

planam as águas frias

sob o testemunho das nuvens

onde ecoa o sussurro das águas.


À noite

só sobra o sussurro

o sinal da ténue água

imparável, mas lenta.


São as pedras, imóveis,

que indagam o destino das águas

fugindo pelas fragas

rompendo entre as rochas que as acamam.


As pedras, estáticas,

diante das águas que rumorejam

os dias ausentes

na sua imóvel condição.


Oxalá se movessem

nadassem pelo leito perfurado

andassem com as águas lentas

até um desfiladeiro, ou estuário, aportarem.


Desenganam-se, as pedras

presas à sua imóvel condição

amordaçadas pela raiz inerte

seu esteio inamovível.


Só sonham, presas ao lugar

sonham com viagens fantásticas

levadas ao colo pela água transparente

só para conhecerem destino outro.


Como se, pedras estáticas,

se tornassem gélidos seixos

abraçados ao rumo das águas esquivas

colina abaixo até algures.


O algures em que militam

um lugar qualquer

quebrando monótona impassibilidade

diante dos dias sucessivos.


Nem que seja

para esbarrarem no precipício

onde a cascata se despenha

na espuma da raiva contida.


Ou que seja

para se deitarem no fundo

de um imenso lago

onde as águas, cansadas, repousam.


E que seja

o lugar de outra sepultura

o algures prometido

nos sonhos acordados.

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