19.6.26

Contramão

Não digas nada. 

Não acordes os demónios 

do seu sono de fealdade. 

Não abandones o silêncio inteiro

nem que por vírgulas tenham

a tua sorte. 

Não amanheças imperador do dia. 

Mas não fujas dele

lembra-te das flores que são seu cio

e toma-as como penhor 

das juras por vencer. 

Amanhã 

dirás o que hoje não disseste

se entretanto não fores vítima (voluntária)

do (teu) esquecimento. 

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