Púnhamos as vozes a falar
nós, os arquitetos das palavras,
até que as destinássemos a poemas válidos.
A matéria incandescente a desejar a manhã
um punhado de violinos em desordem
até que as estrofes
combinassem o silêncio que era alquimia.
Não soubemos das coisas tardias
era em nós que as levávamos
sem sabermos
só por as querermos combustão
e toda a cumplicidade a nascer de um sonho.
Falávamos pelas vozes sem silêncio
os punhos ascendendo ao miradouro
onde o vento secava as lágrimas.
As lágrimas
tornadas pétalas de ouro
tatuadas na pele sem adiamento.
