Dos dias a meio
guardo o esconjuro da rotina
os olhos inertes
amanhecidos no rapto da melancolia.
Os ramos estendidos
davam vida aos rostos
na meação do critério despojado
por todos os demónios destronados
e todos os verbos extintos
na farsa esquecida.
Os ossos fartos falam mais alto
vertem sobre os diademas claros
as férteis promessas que se juntam no apogeu
num qualquer baldio sem costura.
As pessoas querem a salvação das almas
enquanto se distraem no fogo da insídia
enquanto
descorajosas se encomendam a divindades
por conta de inaugurações do passado
das costas entortadas com o tempo adversário.
Não importa que hoje seja apenas hoje
a métrica caótica que aloja a angústia toda
não importa
que se desmontem os demónios sem escrúpulos
nem os meios atiçados para o propósito.
As estrofes avulsas
um credo como qualquer outro
põem-se em sentido
num sortidos de braços e pernas e dorsos
a que surdos os sentidos se entregam:
em vez da perfeita encomenda para o desastre
sobrestimam-se
as pistolas desenganadas
que encenam os projetos de impuros esboços
de simplicidade.
Quero os números todos
inteiros e por completar
primos e bastardos
levantando o véu ao vale sem paradeiro
essa matéria-prima de que não sou feito
mas podia ser
se não tivesse fugido às comendas
e do peito tivesse gritado
em minha desdefesa
que não há préstimo menor
do que querer ser deitado só olvido.

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