5.5.26

Dos dias a meio

Dos dias a meio

guardo o esconjuro da rotina

os olhos inertes 

amanhecidos no rapto da melancolia. 

Os ramos estendidos 

davam vida aos rostos

na meação do critério despojado

por todos os demónios destronados

e todos os verbos extintos

na farsa esquecida. 

Os ossos fartos falam mais alto

vertem sobre os diademas claros

as férteis promessas que se juntam no apogeu

num qualquer baldio sem costura. 

As pessoas querem a salvação das almas

enquanto se distraem no fogo da insídia

enquanto

descorajosas se encomendam a divindades

por conta de inaugurações do passado

das costas entortadas com o tempo adversário. 

Não importa que hoje seja apenas hoje

a métrica caótica que aloja a angústia toda

não importa

que se desmontem os demónios sem escrúpulos

nem os meios atiçados para o propósito. 

As estrofes avulsas

um credo como qualquer outro

põem-se em sentido

num sortidos de braços e pernas e dorsos

a que surdos os sentidos se entregam:

em vez da perfeita encomenda para o desastre

sobrestimam-se

as pistolas desenganadas 

que encenam os projetos de impuros esboços

de simplicidade. 

Quero os números todos

inteiros e por completar

primos e bastardos

levantando o véu ao vale sem paradeiro

essa matéria-prima de que não sou feito

mas podia ser

se não tivesse fugido às comendas

e do peito tivesse gritado

em minha desdefesa

que não há préstimo menor

do que querer ser deitado só olvido. 

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