Um bardo com sardas assobia ao piano.
Absorto
caminha pelo abismo sem a fita métrica.
Pergunta:
o que é a manhã?
O que podemos fazer
com o luar extinto?
A música derramada
não ajuda a descobrir uma resposta.
O bardo
vem a descobrir
que não importa
descobrir a solução
para aqueles enigmas,
são perguntas sem lugar próprio
perguntas órfãs.
O bardo dedilha umas sílabas
talvez dali venha a sair um poema.
E antes um poema
nem que seja em forma de ensaio
do que respostas categóricas
a perguntas erradas:
se as segundas são erradas
por mais que sejam
certezas
a abençoar as respostas
as primeiras também estão erradas.

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