Assento os ossos na bacia tumular
onde extraviados se elevam
os expoentes da decadência.
Se há divórcios sem ónus
o que separa os termos desses próceres
é exemplo que não acaba
pois em acabando torna-se possível
a reconciliação
que compunha o estulto perdão.
Vejo
como desfilam
imersos num orgulho sem medida
como fingem aos fingimentos de excelência
esgrimindo a mentira como arte do possível
convocando os ingénuos para um altar
disfarçado de abismo
e depois
quando vítimas se encontram
capitulam
na impossibilidade de reaver o seu eu.
Vejo
como se desfazem em elogios próprios
artesãos de uma vaidade por conta do futuro
na admissão sem finitude
do que à sua volta gravita
vomitando palavras grotescas
mestres de cerimónias no mais pútrido
dos lugares
onde dançam os frutos por amadurecer
no intencional rapto que devolve ao mundo
a vergonha que não o consome.
Depois do futuro fica por mostrar
a candeia que resgata a lucidez
fica à mostra
apenas a carne nua
a convocatória dos espíritos despojados de algemas
eles que recusam
a assimetria dos déspotas
a aura corrompida dos embaixadores da frivolidade
os antros sinistros que adulteram a gramática
por que respondem as almas despojadas
o livre escrutínio que sujeita
até os que mantêm a usura dos farsantes.
Corro daqui para longe
mergulho dentro das profundezas
que em mim habitam
prefiro o desencanto do humilde anonimato
quero que invisível seja o meu rosto
quando se dá às ruas das cidades.
Quanto aos procuradores das banalidades,
os que passeiam o queixo
garbosamente içado ao alto
a trinta e cinco graus
os que obrigam os outros
a despenharem-se na sua vez
deixo-os a falar sozinhos
do lado de lá desta porta
que é o meu forte.

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