1.5.05

Dia da mãe

No mistério da gestação nasce um amor intemporal.
No embalo no teu regaço os nove meses que partilhamos:
o teu nutrir, o teu oxigénio, um amor maior
- a vida que se forma.
Hospedeiros do teu corpo aprendemos a sentir o amor
que inspiras numa torrente infinita.

Nascemos:
és a água onde saciamos a busca de carinho.
Nos pequenos gestos, pequenos afagos
que ensinam a densidade de um laço
- já não umbilical
agora revelado na magia do olhar
e da ternura que traz a recompensa do dia.

Crescemos:
sabendo que em ti encontramos lugar onde lançar âncora.
És porto de abrigo que acolhe as nossas ansiedades
com uma palavra que alenta.
Como se fosses um íman que nos atrai,
ao sabermos que há sempre o conforto maior
que nos recolhe na pequenez do nosso ser.

Não é a maternidade condição vã:
fonte da vida, mãe senhora da imortalidade;
pela vida que geras
pelo nutriente que levas ao filho no ventre
pelo carinho sem medida numa vida inteira
- mãe, milagre da vida, oráculo intemporal
dos vestígios que não se apagam com a bruma do tempo.

Há poeira que se acumula nos livros.
Lá dentro, emolduradas, as imagens não se eclipsam:
todos os beijos
os doces minutos de colo
os murmúrios que soam na véspera do sono
embalados pelo calor dos teus braços
a ternura com o cheiro maternal
que nenhuma flor consegue imitar.

Em ti, um santuário
onde expiamos a fragilidade que somos.
Num regresso ao passado
quando em ti havia o nosso sustento:
traços umbilicais que se eternizam.
Por magia de seres mãe..

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