Pé curto
a língua de trapos
ensaboa a ardósia
e deixa, em letra de médico,
o verso de barro.
Os cavalos comem alfafa
(é da ordem dos costumes literários)
e os tratadores
trocam dois dedos de conversa.
Amanhã é a feira
esperam-se as casadoiras em sua demanda
e os rapazes não aguentam a espera.
Os cavalos podem,
eles sim,
com a espera que for precisa.
No meio da aldeia
a ardósia ultrajada pela letra de trapos
cumpre a sua função:
as pessoas passam
e ficam
olimpicamente
indiferentes.

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