12.12.25

A ardósia dos pobres

Pé curto

a língua de trapos

ensaboa a ardósia

e deixa, em letra de médico,

o verso de barro.

 

Os cavalos comem alfafa

(é da ordem dos costumes literários)

e os tratadores 

trocam dois dedos de conversa.

 

Amanhã é a feira

esperam-se as casadoiras em sua demanda

e os rapazes não aguentam a espera.

 

Os cavalos podem,

eles sim,

com a espera que for precisa.

 

No meio da aldeia

a ardósia ultrajada pela letra de trapos

cumpre a sua função:

 

as pessoas passam

e ficam 

olimpicamente

indiferentes.

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