21.11.06

Vida vertiginosa

Estouvados
temem que se antecipe o fim da vida:
o coração pulsa a alucinante velocidade.
Na sua boca
as palavras crepitam
ávidas por serem lançadas
no dizer do que há-de ser dito
por receio do muito que há-de ficar por dizer.

Os minutos são vividos sem parar:
noites que se prolongam pela alvorada
sempre acordados
pelo marear da vida fulgurante.
O sono combatido
pois dormir é tempo
sem ver a luz da vida.
Desmaiam no encanto das calçadas aventureiras
aquelas que apenas os ousados pisam
no doce sabor da adrenalina viciante.

Entregam-se,
desalmados,
ao império do prazer
pé ante pé percorrendo as alturas
que separam precipícios abruptos.
Param diante dos precipícios:
enchem os pulmões de ar
fitam o que há para ver,
lá de cima de onde avistam as encumeadas.
Como se fossem imperadores
zelam pelos espíritos menores que vagueiam,
vegetativos,
cães vadios que erram em destemperos.

Dançam horas infindáveis
separam-se e reencontram-se
no magnetismo das almas gémeas.
Às vezes
nem palavras para cimentar a cumplicidade.
Se a alguns a morte vem bater mais cedo
não se deixam intimidar:
escolha deliberada é viver depressa,
com riscos,
desatinos que estalam na boca
feridas dolorosas que duram a cicatrizar.

Ciciam a altivez
que os demarca dos mortais.
Sem curarem que os mortais
perduram para além da sua imortalidade.
Ensinam:
não são os anos que duramos,
é a intensidade do tempo que levamos
sem arrependimentos fingidos
do tanto que haveria a fazer
e só restou emoldurado na galeria do extemporâneo.

Olham para trás?
Não têm tempo.
E nem sequer tentam espreitar
por cima do ombro do devir:
o amanhã deles é o minuto seguinte.

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