Os olhos desamestrados
voam pelas paredes gastas
dão-se às mãos ateadas
sem o pesar das almas agastadas
sem o vinco sobre o sangue.
Um esgar sem notação
açambarca a luz tímida que espreita
sobre os ombros do dia.
Espevita os melhores verbos
tomando os melhores anos na varanda solar
e lá fora
é o frio que dita a lei
o ar composto de finas faúlhas de gelo
que purificam o pensamento.
As candeias estão apagadas
prefiro tatear no mapa dos sentidos
fugir de todos os fogos medonhos
fugir, até,
dos semelhantes
que acabaram de se sentar
nos mesmos bancos do comboio
e de mim deixar em legado
a claridade exilada
a que sempre se escondeu por delito próprio
o parágrafo sempre envidado
quando os outros
são presença notada.

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