25.11.25

A neve tardia

Os olhos desamestrados

voam pelas paredes gastas

dão-se às mãos ateadas

sem o pesar das almas agastadas

sem o vinco sobre o sangue.

Um esgar sem notação

açambarca a luz tímida que espreita

sobre os ombros do dia. 

Espevita os melhores verbos

tomando os melhores anos na varanda solar

e lá fora 

é o frio que dita a lei

o ar composto de finas faúlhas de gelo

que purificam o pensamento. 

As candeias estão apagadas

prefiro tatear no mapa dos sentidos

fugir de todos os fogos medonhos

fugir, até,

dos semelhantes 

que acabaram de se sentar

nos mesmos bancos do comboio

e de mim deixar em legado

a claridade exilada 

a que sempre se escondeu por delito próprio

o parágrafo sempre envidado

quando os outros 

são presença notada.

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