28.4.26

Deuses costurados em ponto de cruz

São pedaços de certeza

embutidos na cofragem estonada

que voam sem asas no quintal dos profetas

que ávidos se acham 

num banquete de inocentes

entontecidos pela usura dos indigentes. 

O sol a pique acende os faróis do sono

subindo as escadas irregulares para nenhures

aparafusando as sinapses ao contorcionismo 

que não pediu licença. 

Promete umas bastonadas pedagógicas

copiando um inditoso ministro da cultura

 

(sem a parte do ministro da cultura

que à nascença asfixiei as políticas ambições) 

 

como quem ameaça só para amedrontar

que a linhagem de homem da paz

não seja beliscada

por uma ameaça impraticável. 

À força de uma montanha

peticiono uma coragem discreta

o rosto sem esgares 

na esquina dos infecundos provérbios

enquanto procuro as artes de pesca

o adro da igreja

fantasmas disfarçados de viúvas anciãs

o pacto que ninguém vai selar

e na noite vespertina

com o atraso típico das coisas afiadas

deixo um adeus pressentido

aos deuses logrados costurados 

em ponto de cruz.

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