São pedaços de certeza
embutidos na cofragem estonada
que voam sem asas no quintal dos profetas
que ávidos se acham
num banquete de inocentes
entontecidos pela usura dos indigentes.
O sol a pique acende os faróis do sono
subindo as escadas irregulares para nenhures
aparafusando as sinapses ao contorcionismo
que não pediu licença.
Promete umas bastonadas pedagógicas
copiando um inditoso ministro da cultura
(sem a parte do ministro da cultura
que à nascença asfixiei as políticas ambições)
como quem ameaça só para amedrontar
que a linhagem de homem da paz
não seja beliscada
por uma ameaça impraticável.
À força de uma montanha
peticiono uma coragem discreta
o rosto sem esgares
na esquina dos infecundos provérbios
enquanto procuro as artes de pesca
o adro da igreja
fantasmas disfarçados de viúvas anciãs
o pacto que ninguém vai selar
e na noite vespertina
com o atraso típico das coisas afiadas
deixo um adeus pressentido
aos deuses logrados costurados
em ponto de cruz.

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