23.4.26

Viabilização

Não escondo as vírgulas da alma. 

Não arranjo parafusos avariados. 

Não durmo quando a noite ainda espreita a lua. 

Não salvo almas das labaredas avulsas. 

Não minto por serem mentiras às escuras. 

Não rimo com o vento sentado. 

Não remo nas entrelinhas das vozes malsãs. 

Não me amotino contra os ossos cansados. 

Não traduzo as luzes baças sobre o cais. 

Não acordo com o sussurro dos sonhos imprevistos.

Não adio os remédios estatutários. 

Não sirvo para estátua imorredoira. 

Não me sento no parapeito do futuro.

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