28.1.26

A glória perdeu a glória

A glória à solta 

sem freio

livre

e ninguém a apanha.

 

Sinal dos tempos 

– lamenta o idoso 

com morada no Restelo

(lá para os lados

do ministério da defesa).

 

Já não é como dantes 

– fez coro

o odioso mais amado

ajudando-se um ao outro

a conservar a poeira

que enfeita as fatiotas.

 

Dantes

(lá está)

a glória valia mais 

do que o ouro

e as especiarias das colónias.

 

Agora

o ouro está entesourado

a crescer de valor

porque um endemoninhado

espalhou a confusão no globo

sem estar à altura das responsabilidades.

 

Já a glória

coitada

perdeu-se na bolsa do esquecimento

condenada a ser uma atávica lembrança

com paradeiro por determinar.

 

Consta 

que a última vez

que alguém deitou ouvidos na glória

foi quando os Sétima Legião a glosaram.

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