A glória à solta
sem freio
livre
e ninguém a apanha.
Sinal dos tempos
– lamenta o idoso
com morada no Restelo
(lá para os lados
do ministério da defesa).
Já não é como dantes
– fez coro
o odioso mais amado
ajudando-se um ao outro
a conservar a poeira
que enfeita as fatiotas.
Dantes
(lá está)
a glória valia mais
do que o ouro
e as especiarias das colónias.
Agora
o ouro está entesourado
a crescer de valor
porque um endemoninhado
espalhou a confusão no globo
sem estar à altura das responsabilidades.
Já a glória
coitada
perdeu-se na bolsa do esquecimento
condenada a ser uma atávica lembrança
com paradeiro por determinar.
Consta
que a última vez
que alguém deitou ouvidos na glória
foi quando os Sétima Legião a glosaram.

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