Toco por dentro o céu.
Cobro aos demónios as tempestades viris.
Do dicionário açambarco as palavras lúdicas
como se a vertigem não participasse
do precipício constante
e perdêssemos o paradeiro da lucidez.
Somos as asas que descem e sobem
decifrando paisagens singulares.
Tornamos a noite
na fogueira que adormece a pele.
Não deitamos fora o silêncio:
é na sua gramática que escondemos
as estrofes de que somos tutores.
No céu tocado
o achado de uma quimera
um domínio que vale mais
do que mil reinos.

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