16.1.26

Neptuno

Toco por dentro o céu. 

Cobro aos demónios as tempestades viris. 

Do dicionário açambarco as palavras lúdicas

como se a vertigem não participasse

do precipício constante

e perdêssemos o paradeiro da lucidez. 

Somos as asas que descem e sobem

decifrando paisagens singulares. 

Tornamos a noite 

na fogueira que adormece a pele. 

Não deitamos fora o silêncio:

é na sua gramática que escondemos

as estrofes de que somos tutores. 

No céu tocado

o achado de uma quimera

um domínio que vale mais 

do que mil reinos.

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