Não sou o medo que cicia no crepúsculo.
Não sou a metade oculta na submissão.
Não sou o fantasma futuro dos sonhos.
Não sou o embaixador de virtudes remediadas.
Não sou apóstata a não ser pela minha lente.
Não sou uma admirável força
terçada nas contrariedades.
Não sou o sonho que poderia ter sonhado
nem o paradeiro de sonhos avulsos.
Não sou um promitente de coisa alguma.
Não sou a boca temerária
que se ajoelha às vozes dominantes.
Não sou mentira de mim mesmo
na medição das fragilidades.
Não sou penhor de nada que me possa penhorar.
Não sou o asceta que se exila dos sobressaltos.
Não sou o sangue domado
pelas paredes íngremes do idioma vulgar.
Não sou a medida fora de mim.
Não sou coleção de lugares não demandados.
Não sei ao certo o que serei
a não ser tudo aquilo
e mais ainda
o que sei não ser.

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