20.1.26

A ponte servil

A ponte sente que as sílabas batem à porta. 

O crepúsculo enfeita a garganta seca. 

A noite açoita a luz que a quer desmentir. 

No saco dos rejeitados segue a matéria anónima. 

Precisa de cimento para escapar à ruína. 

 

Se ao menos houver uma bênção na chuva

que seja dos nomes que se perdem em becos

e não olham ao medo como gramática da respiração. 

 

As sílabas compõem-se na espera diletante.

À espera de serem a ponte que desfeiteia a orfandade.

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