25.8.22

Capítulo seis

Os estilhaços do Verão

juntam-se às algas 

em despojos onde a maré termina.

 

Os espíritos estivais protestam:

o Verão devia ser mais duradouro

apesar dos corpos suados

das noites de sono embaciado

das ideias anestesiadas

do torpor hasteado em nome do cansaço 

herdado do tempo precedente

ou talvez 

apenas por causa

da indolência que não paga multa

na demorada temporada

do mui constitucional direito ao ócio.

 

Os estilhaços do Verão

pressentem a temporada consecutiva

o rame-rame outra vez

o adiamento das coisas que importam

a perene sensação da exiguidade do tempo

a sensação de tirania 

exercida sobre quem da faina precisa

para manter o pescoço acima da linha de água

 

(um eufemismo para a sobrevivência).

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