29.9.26

Ressonância

 Empurro com um dedo hesitante

a matéria pútrida do dia. 

Os velhos descem a rua da estação

calados 

como se do silêncio fosse o tempo havido. 

Mordem os lábios

a corpulência do passado 

investida nas mandíbulas fortes

dizem que se forem viúvos

pouco é o futuro que os espera. 

No labirinto aberto em forma de flor

as paredes intrínsecas formam a gramática

o desenho inválido em janelas torpes

consumindo a atenção 

vertendo sobre o chão desarrumado

uma dor todavia não excessiva

um quanto baste para se saber

(ou não de esquecer)

o paradeiro da dor. 

A luz domina o céu esbranquiçado

como se uma insólita aurora boreal

tivesse ditado os seus termos

e no terminal estatuto 

se despedisse como legado para o mundo. 

As mãos desatadas reaprendem a ler

resplandecem 

ao saberem que os demónios

não deixaram de fazer prova de vida. 

Astutos

sem desconfiar a não ser da desconfiança

empunhando as espadas rombas

um distante destroço das ovações sonhadas:

e o definhar constante

fazendo notar 

que as prescrições avivam o tempo

ou a forma torturante que tem

destina-se às elegias proverbiais

a menos que proibidas sejam

emitidas por solenes meios

para não ficarem

deixadas em ata

dúvidas. 

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