3.5.23

Manifesto contra a farsa

Como se o hálito do coiote amanhecesse

por dentro dos ossos 

e até o nevoeiro enraizado se calasse

ao pressentir a trovoada que se hasteia,

a suspensão do dia adiada até data conveniente. 

Se houvesse um feixe de sílabas escondidas

o coiote acordado toda a noite

de atalaia

a fingir o sono 

dos que suas vítimas não querem ser

fugindo dos punhais alardeados pelo coiote

enquanto a maré inteira não se torna

apenas sobrevivência. 

E fogem

do dia

dos dias consecutivos

por todos serem iguais

da fala

da imodéstia

das juras atiradas sobre o passado

de um lugar que seja pertença

de um lugar qualquer

em que consigam ser outro eu

à falta de saberem estar vestidos

nos deslimites em que se terçam. 

Por não ser do coiote

essa culpa 

tatuada. 

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