10.12.20

Albergue

A instauração dos desmodos

não se afivela na transgressão

onde deixo de saber da mão certa

e, rebeldes, as palavras habitam

diferentes lugares.

 

Podia reinventar a pontuação

mas não é apetite que me dê;

deixo ao sufrágio sem nomes certos:

a vigilância sem ordem.

 

Sei

de viva voz

(a minha, modesta)

que no bairro alto

habitam as páginas desamestradas

os lobos escondidos do dia

poetas sem armadura

nem segredos.

 

Povoam o mais alto bairro

em marejados pregões

despindo a camisa mesmo sendo inverno

chamando um novembro quimérico 

– ou então

deitando-se

ao implacável escrutínio das massas

enjeitados

como amantes da loucura,

irremédios,

marinando no fino recorte do entardecer. 

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