6.12.22

Monumento

Risco as farsas

os mapas amarrotados

as vozes que contrariam o silêncio

e vou 

pelas montanhas intrépidas

saltando os ribeiros que se agigantam

prometendo os dias sem crepúsculo

 

o miradouro a subir

desde as minhas mãos. 

 

E não deixo o sono vingar

não quero ser 

colónia de sonhos avulsos

simples matéria passiva à mercê dos sonhos

não deixo

que os atónitos passageiros da cidade

se amordacem na matéria invisível 

ou que sejam apenas

 

peões

meros peões

 

numa aritmética acima das suas possibilidades

para se tornarem irrisórios números

condenados à decadência antes do tempo. 

 

Arrisco

que não são profecias

estas aqui costuradas com a saliva da rebeldia

apenas

 

um desejo que se deseja

 

na primeira pessoa 

do singular. 

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