30.10.19

Fonte farta

Se ao sarcófago subtraíssemos
os gramas correspondentes à poeira
teríamos uma
punch line

(que soa sempre bem,
neste capítulo da modernidade,
debitar a erudição do idioma-franco).

Seríamos como os clássicos
gente absolutamente desempoeirada
mergulhada na contemplação
penhora 
das interrogações depois das interrogações

     (contra os boletins de previsões
     dos pastores que apascentam 
a modernidade que se pôs 
com a cumplicidade de um amanhecer 
poltrão).

Não dizemos “amanhã”
nem fazemos figas ao depois
que a estrutura interna da linguagem
é rigorosa
de um rigor absolutamente anárquico.

      (usurpando a matriz à gramática
      contra o estertor dos mendazes,
      os argonautas que guardam
      com o peso de sete chaves
      o penhor da linguagem em sua pureza 
 – ah, a pureza!) 

Também não dizemos
“se eu morrer”
por manifesta improbabilidade da hipótese.

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