22.11.21

Os parecidos

O relógio das parecenças

só sabe falar com metáforas. 

Mal se afunda

num dezembro sorumbático

desfia um rol de provérbios

até a linguagem ficar exangue. 

É da cepa dos gongóricos 

– esses aspirantes à erudição

farsantes de um conhecimento pronto-a-vestir. 

 

São parecidos

e não sabem ser

mais do que isso. 

 

Suas não são as páginas escorreitas

eles apenas lagares do lugar-comum

verbo repetido 

no espelho em que não são eles

a imagem devolvida. 

 

Se fossem filhos de si mesmos

seriam os primeiros parricidas.

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