10.9.20

O disfarce das palavras

A gana não é real,

que de realezas arcaicas

esta não é terra prendada.

Nem a gana é africano lugar,

para desilusão da geografia.

Nem a África diz a gana respeito,

se a literalidade semântica

fosse o aval.

Nem menos se confunda

com esgana

não só 

por não ser correspondente

o termo

mas pela violência ínsita.

Gana como vontade,

que indomável deve ser

e nem dos costumes é devedora.

Assim sendo,

em que por temperado critério se diga,

que real é a gana

 

(no sentido hierárquico de real,

sem decair no acolhimento

da realeza).

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