26.8.21

Poema potencial

Por defeito

os palácios enganam os verbos

perdidas as algemas que eram seu

silêncio.

Na argamassa do mundo fátuo

alquimistas venerandos exibem

o elixir da quarta idade.

Os outros

desconfiam de tanta decadência

e perguntam

se podem perguntar

pelas perguntas que investem

a sabedoria.

Nas águas-furtadas,

a pátria do exílio voluntário,

o olhar perde-se onde a sepultura do rio

se mistura com o horizonte.

Poemas potenciais

iluminam a candidatura a vate,

por mais que essa não seja almejada

condição.

As janelas deixam entrar

o ar carregado de calor de agosto.

Maldita a hora 

em que ordenou a filiação das janelas:

os pensamentos adormeceram

sob as pálpebras contumazes

e já não sobram palavras para completar 

o poema potencial.

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