1.4.19

Sísmico

As facas falam fundo
no inverosímil aconchego dos verbos. 
Destino ao dantes o esquecimento pretérito
e do caudal intermitente 
cobro as muralhas intemporais
as cimentadas pedras que se não estilhaçam
no nó górdio dos impostores.
Calam fundo as facas sem dó
nas varandas estéreis 
onde entoa o vento suão. 
Adormecidos os querubins irados
apetece arrotear planícies com a esteva própria
sem a condição anémica dos timoratos. 
As fundas facas contêm esse presságio:
os ramos aparados
não circuncidam o olhar sem fronteiras
é como um voo sem sobressaltos,
abstido. 
Das miragens que se prometem
quero léguas em apartado;
as fundas facas calam vozes gongóricas
e do silêncio em legado
retiro o tutano que cala as fundas facas.

Sem comentários: