13.6.19

Lei de bronze

Tirando os tapetes
o chão em sua nudez
e os olhos desembaraçados de peias. 
Todas as ameias são um refúgio
e um refúgio acontece
quando se tem algo a esconder
ou quando grita ao ouvido
a necessidade de um esconderijo
contra os malefícios do exterior. 
Por isso,
as máscaras. 
Os fingimentos repetidos. 
A dissimulação,
um eufemismo adestrado pelos mitómanos. 
E quem os pode julgar
se a maresia insinua um universo homogéneo?
Não chega a ser contrabando;
no limite, 
um teatro imenso
desdobrado em palcos numerosos
e a função de ator transgredida
no papel que todos assumem. 
A bruma incendeia a lucidez
nos algoritmos espaçados que untam,
com matemática autoridade,
o fingimento que deixou de ser. 
Não se compõe o campo alisado
com sílabas destacadas no logro imperial;
os homens são o seu próprio covil
e não se importam,
não estão a cobro da anestesia
que não passa de pretexto para caucionar
o tão organizado caos
o imenso baile dos fingimentos. 
As ameias
são simples couraças
em que todos se protegem
das mentiras dos outros
e das que contam a si próprios.

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