17.2.22

A gramática do corpo

O corpo

fala como metáforas.

 

É uma metáfora:

fingimento do que intui ser

ator banal

bandeira desembainhada

no estuário onde se terça o ocaso.

 

O corpo

ensina o passado.

 

É o passado:

arvore vindicada na usura do tempo

carne venal

tela gasta vertida em ferrugem

no regaço que estilhaça a nostalgia.

 

Um corpo

enquista-se como jura.

 

É uma jura:

contrafação de fabrico estéril

luar que se projeta

baço

abrilhantando o corpo tatuado

que se recebe num altar outro.

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