17.3.16

TGV

À pressa toda,
que o tempo foge
e o amanhã pode ser tardio.
Mete a velocidade que fores capaz
apanha nos braços as lições à mercê
não te distraias com o infortúnio do sono
nem te desperdices poltrão.
Não:
não é um arvoamento
nem as cortinas do tempo são efémeras.
És tu
apressado
a tudo apressar,
não para depressa teres no bornal
as proezas que houver por contar,
mas para mais delas poderes tomar sabor.
Conquista o saber da voragem dos minutos:
não para ordenares que o tempo se apresse
mas para passares depressa pelo tempo.
No inventário final
serás imperador invejado,
ou apenas anónima peça da engrenagem
ensimesmando a serventia da pressa toda.
Tanta
que nem conseguiste demorar
um instante
na durabilidade dos momentos
penhores de perenidade.


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