29.9.17

Torrencial

Conversa pé de orelha
junto ao palheiro
por cima da árvore matricial:
as mãos juntas
por dentro da terra
procuram pontos cardeais
soalheiras searas para sentir o vento
embebendo o rosto no sal quântico
assim arquejado.

Acreditamos:
os nós teimosos
não combinam com a detenção da vontade
e a capitulação não terá alvorada;
acreditamos:
no perfume de um cometa alado
em demorada jornada
que não conhece finitude.

Aquecemo-nos junto à lareira
e no crepitar do fogo
sentimos a combustão singular
a deitar-se na maçã do rosto.

Ruborizamos:
não é de pudicícia pela nudez dos corpos
nem pela loucura desaconselhável
(aos demais).

Vamos às raízes de tudo
e na equação formalizada
por entre a elegância do pensamento
e o urgente desejo
damos passo ao sol tardio em passos lentos
deitando a jogo
o jorro da vontade.

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