19.12.17

Paradoxo

História sem passado
mar sem litoral
peleja sem espada
comboio sem carril
floresta sem chuva.

Paradoxos sem arnês.

Caril na língua urdida
língua deixada na berma
estrada que não tem mapa
o mapa despedaçado, exausto.

O cerco sem exército
na trincheira a céu aberto
campo fértil de caídos em combate.

Na tecelagem grevista
fazenda a rodos
proveito repartido
adeus à luta de classes.

Não fossem os descamisados
que fado seria dos incansáveis ideólogos,
serventuários do antagonismo de classes
como húmus de onde proveem?

Paradoxos sem arnês.

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