22.3.18

Contador de histórias

Oxalá
as pedras perdidas
contassem histórias.
Oxalá
as pessoas por que passo
fossem histórias avivadas.
Teriam o aval dos curadores da memória
e apreciação bastante nos círculos demais.
Pois de histórias somos feitos:
no esgar de um sonho embaciado
no parapeito da imaginação agitada
na púrpura luz de que é feito o outrora
nos enredos, patranhas sem maldade.
Oxalá
as histórias contadas com arroubo
fossem a avença do tempo
e não houvesse lugar para ocupar o resto.
E dos corpos transidos
autêntica anestesia de tudo
se desprendessem
palavras fétiche
palavras armadura
palavras sem medo
palavras verossímeis
palavras serpenteadas
palavras
no estonteante precipício das emoções.

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