27.10.16

Carbono

Não seriam remédios
a colher no alto das minhas mãos.
Não serias remédio
para as feridas abertas em demanda de cicatriz.
Não seria um remédio
a dar às doenças em lenta mortificação.

Seria, talvez,
um animal ferido
irado
desvairado
cavalgando na onda que sangrava
desenhando óbices severos
sem o embelezamento dos sentidos atilados.

Destruí os campos planos
e as flores entretanto desabrochadas
e levava em mim a leveza distópica
de um urso cercado que não aceita ser presa.
Convenci-me que era um ciclone
e que tudo em redor tinha medo de mim.

Terão tremido os montes
ao saberem do meu grito excruciante.
Terão os rios chegado vermelhos à foz
lavando o sangue vertido.
Ninguém soube.
Ninguém cuidou
de arranjar os remédios precisos.

O dia depois
seria um dia como os outros todos.

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