28.3.21

Extinção da espécie

Repito-me.

Não tenho mais nada

para dizer.

O ferro solto

espera pelo selo abraseado

enquanto a fogueira se excita

e o amordaçado ferve de medo

(disfarçado de brio).

Não se estilhaçam 

os verbos exauridos:

os carrosséis amadores

não se agigantam 

no avesso das dores

e as palavras repetidas

podem não ser matéria gasta.

Repito-me.

Talvez

por não ter nada mais

para dizer;

ou talvez

porque essas palavras

resumem o medo do amordaçado

antes de ser marcado

com o brasão dos estultos. 

Repito-me:

o brasão lacrado na pele

é a pior das tatuagens perenes.

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