27.4.15

A garrafa náufraga

Nas areias perfumadas a maresia
deposto um testemunho lacrado
pelo mar abundante.
Trazia vidro fumado
corroído por sabe-se lá quantas ondas
e quantas marés vigorosas.
As aves marinhas dele se afastaram
as de praia grasnavam
como se em pânico estivessem.
Uns pescadores benziam-se
e furtavam os olhos do areal.
Os pais de umas crianças
advertidas que ali podia jazer ardil de um demónio
e as crianças logo compulsivamente afastadas.
Por quatro dias e quatro luares
a garrafa náufraga esteve ao relento.
A areia deposta pela maré alta
já cobria uma parte da garrafa órfã.
Em passeio vespertino
um forasteiro tropeçou na garrafa.
Notou no pergaminho interior.
Como não havia pescadores nas imediações
usou da força das grossas mãos
e desabotoou a garrafa enigma.
O pergaminho transfigurou-se em mítica figura.
Não lhe perguntou por desejos.
Perguntou-lhe pela curiosidade interior.
E se não sabia
que a curiosidade às vezes é mórbida.
O forasteiro
como não percebia a língua
do génio vindo da garrafa,
e em estando ébrio,
pegou no atilho do sapato da figura mítica
e amarrotou o pergaminho.
Fez dele lixo do vário em cima do areal.

22.4.15

Receituário

Não é à teia da aranha
que devemos temor:
é a quem a saliva.

16.4.15

Fiel depositário

A justa medida.
Desconta:
o olhar poltrão
o esbracejar que berra
a estrela da televisão ávida de reconhecimento
os pregadores que vomitam moralidade
(tacanha, como são as moralidades)
os bácoros que linguajam brutalidade
os tubarões que tudo açambarcam na sua inveja diletante
as vetustas velhinhas
(que rivalizam com os pregadores)
os magalas que encenam a próxima bebedeira
os executivos apessoados
que ouvidos deviam deitar aos pregadores
(se não soasse a antinomia)
os intermináveis candidatos a cassiopeias
as sumidades que transpiram intelectual estalão
e destilam pesporrente e elitista erudição
os mestres de cerimónias e os mestres de obras
que não mestram coisa que valha
nem obra que tenha valimento
as pitonisas em tirocínio
e os vitorinos eternamente prometidos
os boçais que saem da churrasqueira de palito na boca
os narcísicos com espelhos pinóquios
os polícias que protegem as leis e os polícias dos costumes
e as proibições a eito
mais a ordeira obediência como sinal de pertença.
Ensaia os teus deslimites
a ópera da transgressão
se julgares que esse é o tributo cobiçado
ao existir descomprometido.
O resto,
o resto desimporta.
Nem que tenhamos de desinventar.
E de desnascer:
para o nascimento outra vez.


9.4.15

Alto o Douro

A mão do homem tira talhadas da montanha
esculpe-a
como se gigante fosse a sua mão
e exígua a montanha.
Homérica, a empreitada
retalhar terra semeada de pedras
ceifar uma terra alcantilada
emprestando a mão do homem
feição propícia à paisagem.
Seu lídimo arquiteto
o homem
(sucessivas levas dele)
cinzelou arte singular
e domou paisagem que se arrematava irrefreável.
Os montes tingiram-se
com uma tela de pura beleza
mercê do suor e do sangue dos arquitetos.
O vinho derramado das encostas
embebe o adocicado do suor e do sangue
matérias-primas da paisagem penhor dos encantos.

7.4.15

Estética assanhada

Um
(pode-se dizer?)
parolo desce à grande cidade.
Ofende a estética dos
(autoproclamados)
janotas.
Os janotas passeiam estultícia
mas não sabem.
Em sendo janotas
fingem que apedeutas não são.
Caçoam dos parolos que:
vestem andrajos
(mesmo sendo refulgentes paramentos)
metem decibéis na converseta com os iguais
amesendam com alarvidade ultrajando os costumes
e demoram em regressar às terrinhas.
Os janotas podiam não sair de casa
em jornada de costumeira visitação dos parolos.
Evitavam males maiores à sua elevada estética:
das catacumbas da “sabedoria popular”
(uma contradição de termos)
cunha-se um dizer sintomático
que manda ensinar aos incomodados
que o seu incómodo disputa mudança de lugar.
Os assanhados tutores de uma estética urbana,
fiéis depositários das normas visuais que não ultrajam,
podiam mostrar credenciais;
só para certificar autoridade tanta em que montam
no papel de juízes de uma estética abonada.
Incultos e frívolos
descontam para o ladário da boçalidade.
E nem dão conta
tão entretidos em fazer de conta que fazem de conta,
que um deles é agressão maior que mil falantes parolos.

31.3.15

Lente desfocada

Tirava as medidas à ambição.
Quatro lustros depois,
desembainhado de esperanças,
tirava as medidas da ambição.
O sabre frio,
estulto zelador de uma (diz-se) justiça divina,
repôs as coisas em seu estado natural.
A ambição era uma desmedida.
À medida dos sonhos
que cortam a eito na longa reta
da estrada que leva a lado nenhum.

30.3.15

A vertigem do tudo

Tenho a dizer
que o amor perfuma o tempo imorredoiro
banha os olhos com a nitidez das manhãs claras
incensa o corpo num remoinho de águas amornadas.
Tenho a dizer
que tudo o que seja infortúnio
vem no contraditório de um abismo que o consome;
que tudo o que seja infâmia
se ensarilha no redil de que é refém;
e que os arpejos notórios
são os que deitamos nos ouvidos
em forma de sussurro
ou nos gritos que troam pela casa fora
pelo mundo que tecemos nas pontas dos dedos.
Tenho a dizer
as palavras que são melodias que sopesam o vagar
as palavras que sejam, talvez, rotineiras
e da sua lhaneza se extrai o incenso que coalha
as impurezas todas.
Quero que as janelas do tempo tomem conta das paredes.
Quero que o tempo trepe pelas porosidades das paredes
e se faça moldura do quarto perene.
Quero o desleixo que queira vir
a barba rala e descortês arborizando-se no meu rosto
as roupas gastas em cima do corpo
os livros amarelecidos e, porém, casta divina
as músicas segredadas no palco da cumplicidade
e as mãos que se dão e se emprestam calor.
Não sei se o tempo se demora.
Não sei quantas luas há para vir.
Não sei
que palavras rimam com o meu rosto povoado pela fortuna.
O que já perdi é a constelação do que tenho agora.
Não sei o que mais não hei de saber
no saber que se abraça ao dormitório das interrogações.
Talvez saiba, contudo,
contar as lágrimas que se derramam sobre o meu rosto
contar as lágrimas tuas todas que seco
contar as histórias que vierem no dorso do acaso
e vociferar todos os males
encomendá-los em correio expresso
para o lugar onde o sol não seja alvorada.
Hoje sei: tenho tudo.
Tenho tudo, a começar no amor.
E a acabar no amor.
E tenho a dizer:
que tudo o resto me seja expropriado
que mantenho as rédeas da vertigem do tudo
as faces rosadas pela espada que nos consagrou
reis de um reinado exíguo
que se espalha na grandeza de nós.
É uma vertigem, das boas.
Um sal que não queima deitado sobre as feridas.
Um remédio que atalhou as cicatrizes.
Somos a pele pura
o pano dourado onde os pássaros se querem deitar
e nós,
reis do reinado exíguo maior que tudo o resto,
curadores do saber que conta.

24.3.15

Leap of faith

Pegar no oráculo que estiver à mão
esperar pela penumbra reveladora.
Os cães danados latem a fúria toda
e nem damos conta como erram nas ruas em redor.
Tomemos o exemplo das andorinhas primaveris
voemos com a leveza que extingue inquietações.
Sejamos como os grossos troncos de árvores
que se enraízam na firmeza das fundas raízes
e não tergiversam nem com tempestades furibundas.
Sejamos tesouras que cerceiam os males andarilhos
a pele onde pousa a bondade
o terreno onde fertilizam as coisas que importam
o baú onde medra a saudade do tempo presente
os cometimentos não estéreis abraçados ao sol radioso.
Aos desatinos vulgares e às coisas mundanas
sejamos contrapartes indiferentes
esteios de uma forma totalmente diferente de ser
até que o ocaso seja apenas uma oportunidade para outra
e melhor
alvorada.

23.3.15

Mar de prata

Um espelho do sol.
O mar, seu regaço
à medida que as suaves ondas
retratam o sol que nelas se depõe.
E o mar tinge-se de outra cor.
Uma osmose que sossega o olhar
nem interrompido pelos bandos de gaivotas
em sonoro grasnar.
A sombra do sol 
devolve-se ao mar tardio
e empresta-lhe pergaminhos
de um mar de prata.

19.3.15

Evangelho segundo o nome terceiro do diabo

Três colheres de fel
duas esponjas cheias de tabasco
uma esperança mal medida
(só para aplacar a ira).
Um cão raivoso a morder na perna
a perna mesmo ao lado do pântano
no pântano cheio de sanguessugas
como velhas carpideiras na portaria dos prédios.
Um bolo salgado
a acompanhar sumo de menta
a língua corroída pela acidez
da mesma acidez que perfuma os imbecis.
Juntem-se, agora,
seis colheres de fel
três olhos de boi
barbas de milho salgadas
presunto de búfalo
dados viciados
uns drogados em impudicícia
e umas algemas que escondem as proezas.
Mande-se o resto à sorte da fornicação
(caso se tenha a fornicação por coisa abjeta).
De outro modo
encomendem-se as almas transvestidas
ao vómito de si mesmas.
E haja deuses controversos,
deuses que ninguém siga,
para abençoar este altar ungido
por um unto que escorre das bocas pestilentas.
A aridez do forno caldeia pesares.
Haja serventia para os bestuntos de fatiota janota
sem outra que seja o passeio da sua agnosia.
Empreste-se-lhes palco.
Precisam da ostentação do brio mendaz.

17.3.15

Grito de protesto

Esbracejam os pesares pelas vozes impuras,
as santidades que bolçam arbitrariedades.
Contra elas não podem os silêncios.
A elas
mandam-se mastins esfaimados
uma jugular incendiada
teias de aranha que arrematam o veneno todo
incinerando olhares malsãos.
Apodera-se uma ira fecunda
(quando a ira nem é geneticamente fecunda).
Os nenúfares mirrados vegetam na água pútrida
cegando o ar com a pestilência dos exilados.
Doravante
os nãos são ditos quando tiverem préstimo
o rosto embacia-se numa severidade medonha
os dedos das mãos são pazadas de força
o mel azeda
os ossos salgam-se de sais raros
o coalho dos dias serve-se como iguaria
e as cartas adulteram-se.
O jogo passa a ser o que dantes era rejeitado.
À medida dos outros medra desconfiança
sentinela dos ardis reinventados.
Faz-se de hiena, se preciso for
saltando florestas com velocidade vertiginosa.
Faz-se de leão, se preciso for
e devoram-se os sobressaltos que vierem de frente.
Há um copo de leite estragado à espera.
Peixe datado servido em forma de vistoso sushi.
Palavras corteses que são alfaiates da inverosimilhança.
Comboios vetustos, armários dos tempos que foram.
Uma constelação que não resplandece
e não há eclipse que a embote.
Deixa-se vir ao de cima
um grito de protesto que decanta a ira.
A ira, que é banquete escusado
mas imperativo quando as armas terçadas
são aleivosia farta.
O descaminho continua a ser altar alheio
dos que se montam em bonecos faz de conta
em montados estéreis
onde o que se aprende é o nada.
Por cima dos algozes da impureza
congraçam-se e falas não pueris.
Num braço de ferro, se preciso for
só para ver quem mais alto grita.
Em estrofes de protesto
que desatam o desassombro aferrolhado.

Depois
sobra a retoma do tempo dos olhos vivazes
as almas merecedoras
o vinho desembargado
a ira aplacada
os castelos desenhados pelos dedos
os palcos onde se ensaia a vontade soberana
as palavras encantatórias
– e já não as de protesto.

11.3.15

Vidro estilhaçado

Os veios atravessam a superfície do vidro.
Do agora vidro raiado.
Não chegou a ficar em escombros,
o vidro,
apenas sobrou um espelho estilhaçado
já sem a cintilação de antes
já sem a serventia que teve.
Os estilhaços decantam o olhar:
julgava-se que o embaciassem
a superfície arrombada pelos veios tentaculares;
ao contrário
os estilhaços devolvem a imagem retorcida
do que um (falso) espelho diria translúcido.
Em contraponto com a maré
o vidro estilhaçado mostra a claridade de tudo.
Já nada é embuste
já nada se encobre num simulacro capaz
já tudo se revela matéria transparente.
Por vezes há rombos argutos.
E, por vezes,
derramadas as lágrimas necessárias
em depurações que abraçam as (enfim)
cristalinas coisas.
Não tem préstimo a consolação da sorte madrasta.
Não têm préstimo vidros resplandecentes
ocultando a podridão das coisas.
A ser assim,
antes os vidros estilhaçados
a tonalidade das coisas sem máscara.
Pois nos vidros estilhaçados
não se ferem os olhos penhorados
por uma penumbra promissora.
As quimeras
não são fiadoras da alma soerguida.

9.3.15

Dança dos pontos de interrogação

E se o sol retardasse o entardecer?
Se as velhinhas se despissem da coscuvilhice?
Se os gatos e os cães viessem com genética trocada?
Se a lua adejasse sobre a luz diurna?
Se os chacais fossem curadores da bondade?
Se os algarismos fossem frases completas?
Se o vómito de um bêbado adubasse a magnólia?
Se as crianças ensinassem leituras aos mais velhos?
E os velhos desdenhassem o firmamento?
Se os esteios fossem os lados frágeis do mundo?
Se os mares perdessem o sal e a areia fugisse das praias?
Se em toda a comida se extinguisse o paladar?
Se as mãos não se embotassem de afetos?
Se os pássaros fossem juízes da gente?
E a gente fosse toda mundana?
Se as pedras sob os pés fossem um tapete de veludo?
Se as pedras atiradas enfeitassem quem elas atingem?
Se os ultrajes se virassem do avesso?
Se um módico de confiança não fosse atraiçoado?
Se a boçalidade fosse espécie em extinção?
Se se reinventasse a escrita?
Se fossem depurados os olhares que se deitam sobre as coisas?
Se a noite fosse banida na perenidade da luz diurna?
E se os sonhos perdessem a espessura de sonhos?
e nem os pesadelos troassem no lugar escondido do pensamento?
Se as coisas fossem antípodas do que são
e as palavras ganhassem sentidos singulares pelas bocas diferentes
e toda a linguagem fosse uma metáfora de um pulsar radioso
e as mãos tocassem sempre ouro em teclas de piano enfeitiçadas?
E se fôssemos partes inteiras e não a soma de todas as partes?
E se as sombras não fossem apenas tédio?
E as utopias uma linhagem das coisas que há?
E o que seria
se não houvesse pontos de interrogação?

5.3.15

Siamese hearts

Incomparável
Inigualável
Inúmero
Indelével
Incalculável
Inextinguível
Inviolável
Indisputável
Inamovível
Inquebrantável
Incansável
Incorruptível
Improrrogável
Inadiável
Indispensável
Insaciável
Incandescente
Inimputável
Inestimável
Invejável
Inexorável
Impassível
Imbatível
Incontestável
Imperioso
Irrefreável
Irrepetível.
E intenso.

2.3.15

Speak louder

Our hands shelter the sky.
When misty clouds spread tears of joy
as blood spurs emotions high.
With veins walking away from dust
and strings melted in sunny days ahead.
You know that inhabited places are useless
as embedded as you are in shaded skies.
We have our own eyes,
the eyes that count.
Others are hollowed,
thinner that air
darker than a soaking decay
straddled by countless bones that shake
through soulless earthquakes.
Let others be aware
of their tininess sculptures.
To our hands immeasurable glasses of wine
in celebration of kingdoms within.

The light does not vanish inside the greatness of our hands.

Thus, let us throw hands up in the sky.
They shall shelter the sky from daunting vultures.
At the end
we will stay sacred entities
fearless bodies vaccinated against rage.
We will be greatness within
here and ever
as the sky bends towards these protecting hands:
ours, from now to there.

26.2.15

Lua prodigiosa

À lua tudo se pergunta.
As vontades
as exasperações
os volteios da alma
o porquê das pedras pontiagudas
o admirável renascer dos elementos
as vozes que troam
os sussurros doces
o marasmo inquietante
o lívido estado do mundo
ou o seu encanto em manhãs brumosas.
A lua a tudo responde
não esconde o rosto
nem quando se emudece atrás do mundo.
Ensina a paciência.
A sua luz intensamente branca
expede as respostas que cavalgam no olhar.
Um olhar sabedor
que decanta a lua levedada do dia prévio
e retira a penumbra do seu estertor.
Não gritem os sobressaltos
não fervam as amarguras
nem se encastelem as importunações;
que a lua faz de teia
e com saliva a nada reduz esses nadas.
Devemos à lua
a maresia que adeja
e cimenta a pele árdua que se desembacia.
Numa simbiose de que não se dá conta
a não ser
quando nos achamos lua de nós mesmos
e da lua tiramos a alforria do ser.
O resto
(os escombros infecundos
as cinzas álgidas
os punhais insidiosos)
deixamos à sombra aninhada no reverso da lua.
Com as mãos cheias de vontade
- da indomável vontade -
e um rosto que não capitula às sombras medonhas
e um sorriso que desmonta as emboscadas,
somos a face lunar
e a luz que derrota as trevas.
A lua sela o amanhecer devagar.
Ajuramenta um tempo sem mácula.

18.2.15

Tira-teimas

Ah! as estrelas cadentes
e as fixas
e aquelas que se levantam diante dos olhos nossos.
Ah! nutriente luminoso
archotes abraseando a noite fria
onde somos caudilhos em ré menor
e cantamos, em doces sussurros,
às nuvens que desenham o céu.
Ah! os baloiços que recordam a meninice
o tempo de uma inocência madraça
que não apetece resgatar.
Pois só contam os suspiros de amanhã
pela mão dos hojes que se repetem.
Ah! resplandecemos na aurora das velas
fazemos coreografias com os dedos entrelaçados
bebemos a seiva de um altar-mor
onde nos entronizamos imperadores.
Ah! os corpos dançam sob a lua que decai
deles retemos as dedadas carregadas de suor
e o mantra que soubemos descobrir por dentro de nós.
Queremos tudo.
Queremos tudo.
E sabemos que temos o tudo que queremos
à distancia de dois dedos,
de um olhar retumbante
e das palavras solstício que são fio de prumo.
Ah! sabemos ser nós
e do jogo forte dos corpos enlaçados
sabemos extrair os sucos do âmago dos prazeres.
Para dizermos:
ah!
uma, duas e três vezes
as que preciso forem
para deixarmos legado no mapa celestial
de onde irrompem as lições maiores.
E, ah!
- ah! outra vez -
exclamemos o pulsar interior
em segredos soprados para o refúgio em nós.
Até que uma constelação inteira esteja a nossos pés
e nós,
sobre ela adejando,
nos façamos seus imperadores.