9.8.16

Não estatuto

Seria
estulto desagradecer aos imprevistos.
Seria
amador tirar a besta do armário.
Seria
ensurdecedor o silêncio duradouro.
Seria
demente tropeçar nos próprios pés.
Seria
sobressalto oferecer a janela aberta ao devir.
Seria
criminoso deixar a água desamparada e esvaída.
Seria
caótico cerzir os dedos aos fogos medonhos.
Seria
um estorvo apurar as comezinhas fauces.
Seria
impensável descoser as bainhas sólidas.
Seria
desbarato apreciar os estouvados.
Seria
critério depositar o corpo ao rio lânguido.
Seria
cruel ligar as cores nas paredes brancas.
Seria
proeza se resgatasse a pureza já desenhada.
Seria
volitiva fruição amparar os reflexos da noite.
Seria
frenético desejar com intensidade de um dínamo.
Seria
maré alta se precatasse os calafrios.
Seria
exemplar se houvesse carestia em ser exemplar.
Seria
nó atado se não desaguasse numa foz clara.
Seria
o que fosse não fosse o que sou.
Ou:
seria o que fosse não fosse o que me é dado ser.

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