10.5.18

Moda sem modos

Trovas modernas:
o tempo não tolera a letargia
e os seus argonautas

(como se cavalgassem 
nas amarras de um relógio)

insubordinam-se contra o vazio. 
No fundo
exoneram a história
projetando-se para o fado que é incógnita

(menos o sê-lo, 
quando chegar seu apeadeiro). 

Enquanto esperam
esculpem o tempo que vem parar às mãos:
as modernidades sucedem-se
com a mesma voragem
dos dias sucessivos. 
Na lente baça da desmemória

(entretanto cultivada)

de tantas trovas modernas
já não mantêm inventário
dos modismos em acelerada substituição. 

Às trovas modernas
o património da desmoda:

todas decaem no seu fulgurante emudecer

o passo cedendo
a outras por sua vez efémeras.
Até se chegar ao nirvana:

é moda 
não estar em moda. 

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