19.5.17

Cautela

E de um segredo solitário,
mediador entre o céu sem fim
e o chão que é acolhimento,
um lobo manso não foge do inesperado. 
Apeteceu trair a sua génese
sujeitou-se aos complicados fados
que não estão nas suas mãos. 
Em vez de um esconderijo
escolheu o planalto aberto
correu o risco da prescrição do sossego. 
Desta vez
não julgou imperativo pôr-se de atalaia:
um invisível pássaro de múltiplas cores
segredou 
convictamente
que as pessoas beberam 
na fonte da confiança
e os bichos não seriam presas. 
Julgando o teatro farsante
o lobo sobressaltado
afastou-se do pássaro e tomou o caminho
da vereda que morava na penumbra. 
Nos preparos da confiança
os homens carregam maus pergaminhos. 

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