31.5.17

Retrospetiva

Corríamos
contra os corrimões
emaciados do tempo.

Atirávamos
os corpos sem sentido
contra os paredões da loucura.

Atravessávamos
as ruas vidradas
no desencontro das luzes.

E sabíamos
jogando as mãos contra paredes
do luto transversal que não incomodava
das proezas avocadas em logros
da angústia do vazio
trespassando o sono em contínuas sessões.

Fomos
sem termos noção das estradas andadas
sem sermos reféns
a não ser
de nós mesmos.

Andámos
no sargaço ao acaso
nas ondas e marés que se compunham
graças aos dedos salgados
e à indomável estrutura da vontade.

Hoje
em retrospetiva
ao menos
sabemos disso tudo.

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